#Notícias

Entrevista com Alexandre Calado “Testa” - Novo skatista Amador da Myllys.

"Morei durante quatro anos no município de São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo, e pude conhecer muito bem a cena local. Alexandre Calado é um dos principais skatistas de lá, e consequentemente acabei dividindo diversas sessões com ele em picos da cidade. Em poucas sessões pude perceber o talento e o estilo deste skatista, qualidade ainda mais rara nos dias de hoje. Além das habilidades em cima do skate, pude conhecer também as qualidades como ser humano que ele possui. Humilde em todos os sentidos, companheiro nas horas de alegria e principalmente nas horas difíceis. Acabou se tornando um grande amigo. Skatista para qualquer tipo de terreno, e muita personalidade... É uma das minhas apostas para em breve ter o reconhecimento nacional, e quem sabe internacional" - Marcos Hiroshi, 25 anos de skate, profissional desde 2004 e editor do Portal CemporcentoSKATE.

Nome, apelido, idade, tempo de skate, natural...

Alexandre Calado, “Testa”, 22 anos, 11 de skate, natural de São Paulo – SP.

Quando e como o skate entrou em sua vida?

Quando eu era pequeno não sabia o que era skate, nem tinha visto ou ouvido falar. Até que um dia estava indo comprar uma pipa e vi uns amigos meus andando de skate na vila onde moro. Ai uns dos meus amigos me ofereceu um que ele estava vendendo, a partir dai a febre começou.

Quanto custou o skate? Já era bom?

O skate custou R$ 25 reais... Mais como não tinha o dinheiro todo, dei R$ 23,00 e umas moedas e não paguei o restante ate hoje! Hehehe! O skate não era bom não hein! Estava usadíssimo! Nem me lembro de todas as peças, apenas do truck que era Crazy.

Dai para frente como foi sua correria? Como foi conhecendo o universo do skate?

Dai pra frente comecei a andar direto, aí conheci uns caras nos bairros próximos ao meu. Certo dia eles me mostraram um vídeo de skate, o Adio One Step Beyond, me lembro que quando vi esse vídeo fiquei louco, febrão! Andava ainda mais tempo que antes, isso que só tinha esse vídeo. Depois disso os mesmos amigos me apresentaram a pista pública de São Caetano do Sul. Mesmo sendo morador do mesmo bairro, nem sabia que ela existia e que já foi a maior pista da America Latina.  Ai fui andando cada vez mais nessa pista e conhecendo as pessoas que freqüentavam lá. Depois de dois anos a pista fechou e daí comecei mesmo a andar de skate fora de São Caetano. Conheci a pista de Mauá e depois passei a ir a todos os lados de Sampa, Zona Leste, Oeste, Sul etc. Cheguei até fazer minha primeira viagem para fora do estado, fui para Porto Alegre - RS andar na pista do IAPI com um amigo que conheci em São Caetano, nossa, muita coisa para falar.

Como surgiu a oportunidade de fazer essa viagem e logo para ir andar em uma das pistas mais desejadas por skatistas de todo Brasil?

A oportunidade surgiu através do Henry, skatista que conheci em São Caetano. Ele morava em Porto e mudou pra cá, daí ele só falava do IAPI, ai um dia perto do fim do ano ele me chamou para ir pra lá! Até desacreditei! Daí fiz uns bicos, minha mãe me ajudou com o que pode e fui! Foram 22 horas de ônibus, mas foi muito da hora. 

Em que ano foi essa viagem e o que aconteceu quando chegou por lá?

A primeira vez foi em 2005, foi muito da hora! Quando cheguei a Porto alegre eu tinha o telefone do Henry que já estava lá, mais o que eu não sabia era que o numero daqui de SP não funciona lá em porto alegre sem crédito, quando liguei pra ele nem chamou! Hehehe! Ai fiquei muito preocupado, porque eu estava muito longe de casa, ai decidi ir para o IAPI para ver se via alguém dos moleques  conhecidos, mais não achei ninguém e foi ficando tarde, quando anoiteceu eu e meu amigo Tiago Silveira (que estava comigo a viagem inteira) decidimos ir para um hotel, viramos o Natal em um hotel zuado e quando acordei no outro dia decidi ir bem cedo no IAPI  para ver alguém lá que ajudasse a achar a galera.

E encontrou?

Ainda bem mano!  Quando joguei o skate no chão da pista para fazer um rolê ouvi um grito... E ai Teeeeeeeeeestaaaaa! Esse grito foi o que me deixou mais feliz e quando olhei era o Henry Jantsch. Ufa! Daí tudo melhorou né hehehe! Gostei tanto que fui três anos seguidos, 2005, 2006 e 2007, era tipo missão, juntava dinheiro o ano todo para ir andar de skate em Porto Alegre e ver as garotas hehehe!

E o que vc acha que essas idas a Porto Alegre acrescentaram em seu skate e como pessoa?

Nossa! Aprendi muito como pessoa e o skate nem se fala! Essas viagens me ajudaram por completo. Voltei de lá com outra pegada de andar de skate, difícil de explicar. O rolê no IAPI é sempre forte, e você sente que a galera anda porque gosta mesmo e com isso a evolução é constante. A pista também favorece muito para quem quer evoluir e a galera sempre está fazendo algo novo, acrescentando, melhorando, enfim, isso contagia qualquer um, é bom demais andar de skate lá.

Hoje em dia você já está mais conhecido em Sampa, como começou a se envolver no meio do skate, fotos, vídeos etc?

Eu sempre andei de skate por muito amor a ele, sem pensar em conseguir alguma coisa. Teve até um tempo que muitos caras de São Caetano me falavam que eu não tinha patrocínio porque não queria... Imagina! A real é que eu nem sabia como eram esses corres de fotos, vídeos etc. Daí com a ajuda de vários amigos que abriram minha mente para isso, a exemplo do Mario Pastel, Aron Marcel, Marcos Hiroshi, Willian Borela... Esses caras me incentivaram e incentivam muito a fazer os corres e ai fui começando a me envolver mais e várias outras coisas boas começaram acontecer.

Como era a sua correria para poder manter o skate?

Era fod_... Mas o meu skate estava sempre inteiro, pois eu recebia muitas ajudas de peças e sempre que dava fazia uns bicos por ai. Agora tem um bico que esta rendendo uma boa ajuda, mais sempre me ajudaram a não parar de andar.

Quais tipos de bicos você já fez ou está fazendo no momento?

No momento estou trabalhando em um Buffet, e isso está me ajudando muito para fazer um adianto em casa. Pagar contas e a me manter também! Isso faço agora que estou na Myllys e melhorou muito a minha situação, mas já fiz de tudo, tipo, colocar cadeirinha de tirolesa, já tampei de pedreiro, em lava rápido, entregando panfletos  em casas, já dei aula de skate e por ai vai.

Vc já teve outros patrocínios?

Patrocínios não, já tive alguns apoios de marcas de shapes.

Como surgiu a oportunidade de entrar na Myllys? Você já tinha ouvido falar da marca antes? Como foi esse processo?

A oportunidade surgiu quando conheci o Marcos Hiroshi, por que ele conhece o Paulo Bassi que trampa para a Myllys em São Paulo. E como estamos filmando faz um tempo para o vídeo da Booerage, o Hiroshi sempre mostrava as minhas imagens ao Paulo e graças a Deus surgiu a oportunidade e ele veio conversar comigo e deu tudo certo. Fiquei muito feliz em entrar para Myllys, marca a qual eu sempre ouvia falar e via varias ações da marca a exemplo de uma das etapas do Circuito Profissional Brasileiro na Skate Plaza da Paraíba.

Como foi sua reação, como se sentiu quando recebeu oficialmente a noticia de que estava dentro da marca?

Mano! No dia que eu fiz a foto do switch heelflip pulando o cano que foi manobra do mês na revista CemporcentoSKATE, eu cheguei em casa muito feliz por ter acertado essa manobra ai quando entrei no facebook vi uma mensagem do Paulo me pedindo todas as medidas de calça, camiseta etc. Nossa! Na hora que eu li essa mensagem fiquei muito feliz, isso pra mim foi muito da hora, pois vou poder desenvolver ainda mais meu skate.

Mesmo entrando numa marca, para sair um anúncio na maioria das vezes é complicado, o seu saiu logo que entrou! Como rolou esse lance do anuncio? Quando te avisaram que teria que fazer fotos como reagiu?

Quando entrei na Myllys perguntei ao Paulo se eu iria sair em anúncios e tudo mais, ele falou que sim que faríamos um logo mais. Daí em seguida ele me falou que o próximo teria que ser eu hehehe! Então já comecei a consultar minha lista de picos para ver um da hora. E dentro do tempo que ele me deu para fazer o anúncio, consegui fazer esse switch crooked numa borda em São Caetano. Fiquei muito feliz com o resultado.

Qual sua preferência para andar de skate? Rua, pistas...

Tudoooo! Hehehe! Depende, pois tem dia que quero fazer uns carvins, em outro estou na pegada de pular um barranco, tem dias que quero andar em corrimão grande... Gosto de skate mesmo seja ele em qualquer lugar e isso me deixa contente hehehe!

Quais são seus planos daqui pra frente?

Andar de skate cada vez mais, fazer os trampos com a Myllys certinho, viajar mais, correr campeonatos, filmar mais, fazer bastante material de vídeo na rua, estudar, fazer cursos de edição... Muitos planos hehehe!

Deixe um recado e seu agradecimento...

O recado é: Se você gosta de skate mesmo, lute por isso, mesmo que algumas pessoas não aceitem!

Quero agradecer a “Deus” pela minha vida, minha mãe, minha irmã, meu irmão que não está mais entre nós, a Booerage, aos bruxos, Damangalonga, Marcio Satoshi, Alessandro McGregor, Bryzen Studio, Thomas Losada, Fábio Nascimento, Cláudio Alves, KD Tattoo, ao Paulo Bassi e a Myllys pela oportunidade de poder desenvolver ainda mais meu skate, e a todas as pessoas que já me ajudarão e andam ou andaram de skate comigo nesses tempos. Daria para colocar mais agradecimentos, mais ficaria muito grande aqui, maior que a entrevista se bobear! Hehehe!

Muita paz para todos e um 2012 de muitas conquistas!

Confira o vídeo do Converse My Square com Alexandre Calado.

#Vídeo

See video

#Fotos

Alexandre Calado "Testa" - Manobra do mês - CemporcentoSKATE
Alexandre Calado "Testa" - Nollie hardd Heelflip
Alexandre Calado "Testa" - Ollie
Alexandre Calado "Testa" - Feeble na Paulista
Alexandre Calado "Testa"